• IfáṢọlà Sówùnmí - Fê Aguiar

O Que Buscamos na Religião dos Orixás?


Seria mais fácil, em um ponto de vista social, se tivéssemos escolhido uma religião cristã. Os compromissos, as responsabilidades e os esforços são menores para os cristãos, além de serem mais baratas também.

Por que você escolheu cultuar Orixá? Honestamente?

Espiritualidade? Autoconhecimento?

Reconhecimento?

Sacerdócio?

Acolhimento?

Ancestralidade?

Necessidade?

Confete?

O culto aos Orixás é uma das poucas religiões do mundo,senão a única, que trata do homem com individualidade. Você já parou para prestar atenção nisso?

Cada um dos ilekes, idés, guias e contas coloridas que você carrega no corpo contam com carinho o que há em sua essência divina. Olha que mágico: Um oráculo é consultado, em um contato breve com representantes de Deus, para que saibamos mais sobre nós, quem somos, para onde vamos e como podemos ter uma caminhada mais promissora. Em nossa religião somos indivíduos, unos, em nossa maneira de ser e na nossa história ancestral.

Qual religião faz isso?

A maioria coloca todos nós no mesmo saco.

E apenas por isso já seria o suficiente para que nos apaixonássemos e escolhêssemos essa fé e maneira de crer para chamar de NOSSA.

Mas o ser humano tem uma capacidade incrível em destruir ou no mínimo estragar coisas maravilhosas. Basta olhar para a crise ambiental que vivemos mundialmente. Isso porque dependemos da própria natureza para sobreviver e existir.

Vivi o meu momento de carregar um único fio de Obatalá no pescoço, o que era sinônimo de orgulho em pertencer a um Ilê. Aquele colar simples no pescoço dizia silenciosamente: Os Orixás tomam conta de mim. Que orgulho!

E aí começa a ação do homem, da cabeça não grata e de repente temos a capacidade de transformar uma jóia sagrada em uma insígnia, uma patente. Quanto mais fios, maior a importância... e o significado vai sendo modificado do pertencer e ser visto pelo sagrado para: SER MAIS DO QUE O OUTRO.

No Culto Tradicional Iorubá, pouco importa quantos colares você carrega no pescoço. Isso não nos dá importância nenhuma perante a ninguém. Na verdade é um costume que não temos e estranhamos quem exiba uma grande quantidade de colares, mas o senso destrutivo e a auto-afirmação parecem ser inerentes ao homem, assim como a vaidade perante a sociedade e a comunidade. Pois os comportamentos continuam sendo semelhantes, e as pessoas continuam em busca do reconhecimento, do poder e da necessidade em SER MAIS DO QUE O OUTRO, mas usam de outros artifícios como um Odu Ifá, viagens à África e/ou um número “x” de iniciações.

Parece que não nos basta ter uma religião que já reconhece a nossa singularidade.

Aqui ou acolá a necessidade em se firmar como alguém importante dentro da comunidade religiosa parece não ter fim. A busca pelo sagrado de repente passa a ter uma papel secundário dentro da religião e a necessidade em ser ESPECIAL passa a guiar o comportamento religioso, e não mais os Orixás.

Dentro do culto aos Orixás, configura-se o auge do poder desse “SER ESPECIAL” ou “O ESCOLHIDO” pela figura do Sacerdote. O que dentro de todo este contexto mais parece um Cargo de CEO em uma Multinacional, do que um Ser Humano que precisa dedicar-se a vida de outras pessoas.

Isso não pode estar certo!

Ter como missão instruir a vida de alguém é muito mais do que ter um status maximus dentro desse mundo de ostentação que criamos.

Fizemos SIM essa grande bobagem!

Qual é o status social atribuído à um padre ou uma freira? Nenhum. E é por isso que a igreja católica precisa fazer campanhas anuais do despertar da vocação sacerdotal.

Vamos ser sinceros? Quantos de nós tem o axé, a humanidade, o caráter, a dedicação, a disciplina, a empatia, o tempo e o conhecimento para exercer um Sacerdócio? A maioria de nós mal consegue ver os próprios defeitos, e nem ao menos é capaz de identificar os erros cíclicos que estão sempre de plantão na nossa porta, mas como aprendeu a jogar búzios e a fazer meia dúzia de ebós, considera-se apto a atender e aconselhar pessoas.

Volto a perguntar: O que você busca dentro da Religião dos Orixás?

Vou te dizer o que eu busco:

Eu busco o acolhimento dentro da espiritualidade, pois é nela quem me apego para seguir com a esperança. Busco a força da minha ancestralidade para seguir em frente sabendo quem eu sou e do que posso ser capaz. E aprendi a buscar o autoconhecimento. Acredito que existe a possibilidade do sacerdócio? Sim... pode ser, mas não como um objetivo e sim como uma consequência.

E sabe o que acredito também? Que precisamos individualmente analisarmos os nossos objetivos, pois a religião precisa de representantes e líderes capazes de nos orientar com sabedoria e não apenas mandingueiros capazes de fazer um ebó.

Aqueles que buscam algo que não está alinhado com a filosofia dos Orixás, talvez seja o momento de avaliar, se cultuar Orixá é algo que seja importante para a sua vida espiritual ou para seu Ego.

Ọ̀nà’ re o - (Um bom caminho para você) IfáṢọlà Sówùnmí - Fernângeli Aguiar

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As informações contidas neste texto, não representam uma verdade absoluta e podem variar de acordo com a família ou região dentro do Culto Tradicional.

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