A gente nas redes

Egbé - O Senhor da Alegria

 

Antes de ser apresentada ao Culto de Egbé, tive uma conversa com o meu pai. Eu estava reclamando da vida, me queixando que estava perdendo as esperanças de conseguir conquistar algo na vida, pois tudo que eu plantava germinava mas não vingava e em seguida morria. E parece que germinava só para que eu pensasse: Agora vai! Mas não ia. Eu disse a ele que aos 30 anos estava cansada de dar um passo para frente e dois para trás. Eu vivia da esperança de que amanhã tudo ia dar certo, só que esse tal amanhã não chegava. A cada história dessas, eu não percebia, mas estava se solidificando dentro de mim a certeza de que essa existência, não ia dar em nada. Era desanimador.

 

Ninguém leva a sério namoro que não tem futuro, ou pelo menos não é normal. Ninguém trabalha arduamente no período de aviso prévio no emprego, justamente porque a gente só se esforça pelo que a gente consegue projetar para o amanhã. 

 

É assim que o meu Abiku age, e acredito que o de muitas pessoas. Ele tira a vontade de viver por que você não consegue enxergar um futuro feliz, a gente simplesmente não tem ânimo. Ele tem o poder de fazer com que você veja a vida de um ângulo tão ruim, mas tão ruim, que causa uma grande revolta na alma e você fica cego e completamente desequilibrado. O Abiku, ou o Guardião da Promessa, como chamamos em minha casa, tem uma missão, assim como temos a nossa. A missão dele é fazer com que a gente volte logo para a nossa casa no Orun. Ele não quer nos destruir ou o nosso mal, pois na verdade, ele enxerga que a vida em Aiye (Terra) não é a principal. Chamamos ele assim de Guardião da Promessa, pois cabe a ele garantir que cumpramos com o acordo feito no Orun antes de nascermos, e que vamos voltar para casa.

 

O que mais te machuca? É lá que o Abiku vai atuar e encontrar um jeito de te machucar. É nesse pontinho crítico, que só a gente conhece e sabe como ele é capaz de nos desestabilizar. Só nós sabemos o quanto ele fere e o quanto  dói. E não cabe a ninguém dizer que você sofre atoa, ou que é bobagem. Apenas nós sabemos o que tira o nosso sono. Ahhhhh! Não somos apenas nós não, mentira, o nosso Abiku também sabe o caminho de cor.

 

Sabe aquele momento que a gente faz a burrada de falar: Não tem como piorar! Acho que nessa hora nosso Abiku deve dar um gritinho feliz  tipo: Ihúúúú! O "querido" Guardião da Promessa, vai atuar tão forte energeticamente que vai nos fazer ver tudo numa ótica muito pior do que a realidade. Uma lente de aumento mentirosa.

 

Demorei para entender os sintomas das "abikuzices".  Mas ao menos hoje consigo olhar para o meu passado e perceber que se eu tivesse começado a cultuar Egbé, com a idade das minhas filhas, a minha história seria bem diferente e para melhor.

 

Egbé,  é a grande sociedade de amigos espirituais,  capaz de apaziguar a atuação de abiku. No entanto, logo no início  dos ebós e até mesmo depois da Iniciação é igualzinho ao ato de matar cupim no cupinzeiro usando veneno. No primeiro momento os cupins vão sair de casa, loucos, tontos e fazendo de tudo para sobreviverem. Em um grito de "sobrevivência ou morte". Eles vão partir para o tudo ou nada, pois a atuação direta dele está com os dias contados. Egbé deu um remedinho para o Abiku acalmar-se, e ele sabe disso. Muito possivelmente lutou inclusive para que o remédio não fosse dado. 

 

E adivinha qual o lugar que ele vai atuar nesse grito de misericórdia? No nosso calcanhar de aquiles. No nível hardcore ultra mega power. Quem vai ter que segurar a onda nesse tempo? Ori. Só que agora com a ajuda de Egbé. Não acredito que seja uma regra, mas pelo que acompanho é muito comum.  As palavras de alento que tenho para dizer é que vai passar. E quando passar... vai passar MESMO.

 

Acreditem em mim! O Abiku vai ter 98% de poder a menos sobre você, aí é só fortalecer Ori. 

 

Aí a gente se pergunta: Egbé cura depressão? Só se ela for causada  única e exclusivamente  pela ação de Abiku, mas é sempre necessário procurar um médico. 

 

Desde que comecei a cultuar Egbé, essa sociedade linda e muito poderosa, fico impressionada com a quantidade de pessoas que sofrem com a atuação de Abiku. Tenho um irmão de culto, que fala que somos um transatlântico de abikus. E somos mesmo. Acabamos formando um Egbé Àiyé. 

 

A cada nova pessoa que chega na casa, que tem alguns ou mais  sintomas, e que conversando com a pessoa depois, ela me diz que vai ter que cultuar/trabalhar com Egbé,  nem que seja para fazer um ebózinho, eu  já fico feliz. Fico sim, pois sei que faz muita diferença viver sem vontade de partir, viver seguro de nossas próprias escolhas, ou simplesmente de não se achar um Ruffles no saquinho de Chitos. Pois mesmo que tudo seja verdade, esse sentimento vai ficar anestesiado e não vai te atrapalhar mais a seguir em frente.

 

Tinha ouvido falar que abikus atraem outros abikus, antes tinha só ouvido falar, mas já tenho certeza absoluta. Atraímos mesmo, onde quer que possamos estar, seja numa casa de Culto a Orixá, como na nossa vida pessoal.

 

Olhando para trás eu lembro que namorei por vários anos com um rapaz que vivia numa guerra interna tão gigante e sempre no limite da loucura. Ele chegou a ir no hospital público psiquiátrico e se internou por conta própria. Inteligentíssimo, com o dom da música e das palavras, mas com um Abiku terrível. Lembro que ele vivia dizendo que era obsidiado por espíritos. Aos 32 anos ele ainda consegue dar trabalho para a mãe em vários aspectos, consegue fazer com que toda a família se envolva em confusões e é totalmente perdido. Infelizmente não posso ajudá-lo, o Abiku dele deu um jeito de cortamos relação para sempre. Não sei se ele vai ter a sorte que eu tive em conhecer Egbé.

 

É por isso e por outros motivos que Egbé é o Senhor da Alegria, da Longevidade e da Prosperidade. Ao apaziguar abiku, ele devolve  à pessoa as possibilidades de seguir adiante na vida com os olhos abertos para o mundo, enxergando as perspectivas que antes lhe eram tolhidas pela ação de abiku. É muito mais fácil caminhar na vida quando não tem nada nos puxando para trás.

 

Os problemas continuarão a existir até o último dia de nossas vidas, mas com a ação de Egbé e com Abiku apaziguado, é possível  conseguir ver a situação com muito mais otimismo. Só quem já teve abiku colado no calcanhar, sabe o que é caminhar com ele. Só quem teve o privilégio de conhecer Egbé sabe que é possível sim caminhar para frente, sem ter que sempre voltar para trás.

 

Mais uma vez, eu devo a minha liberdade de espírito ao Culto Tradicional Iorubá, que me faz ver e viver a experiência de dias melhores, não só para mim, quanto para a minha família, que percebem como a ação de Egbé foi capaz de fazer com que eu me tornasse uma pessoa com muito mais vida nos meus dias.

 

Egbé OOOOO!

 

Ire O

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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18.04.2019

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