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Faça as Pazes com o Dinheiro

A gente escuta tanta coisa sobre dinheiro né? Mas a maioria das coisas que escutamos são negativas. Dinheiro é um assunto velado, que não se fala com qualquer pessoa, porque ele desperta nas pessoas quem de fato elas são. É um assunto tão polêmico que evitamos falar até com as pessoas mais próximas.

 

Nós brasileiros nascemos em uma cultura cristã muito contraditória. Na bíblia há algumas passagens que dizem que os ricos não vão para o céu, e que apenas o pobre é abençoado. Muitas vezes o dinheiro é incorporado em uma atmosfera suja e pecadora, dentro deste conceito cristão. No entanto, há templos cristãos milionários e muitos sacerdotes e instituições ricas.

 

No Culto Tradicional Iorubá, o dinheiro é uma energia, que, como todas as outras possui ambas as polaridades. Mas se você perguntar a um sacerdote, de uma maneira generalizada, se o dinheiro é bom ou ruim, ele dirá que é ótimo, sem dúvida, pois ele também faz parte da prosperidade.

 

Para nós, existe o bom e o mau dinheiro. O bom é aquele conquistado da maneira correta com o trabalho, herança ou até mesmo um golpe de sorte, que sendo aplicado de maneira coerente, pode nos trazer muitas satisfações, momentos prazerosos e memoráveis, assim como tranquilidade na vida. O mau dinheiro é aquele que foi adquirido através de métodos que entram em confronto com os *nossos princípios de moral e comportamento. Também acreditamos que o dinheiro pago com raiva e de má vontade não sejam abençoados.

 

Você já parou para pensar como é a sua relação com o dinheiro, e como o seu Ori se relaciona com ele? Se você tem uma relação saudável ou de raiva, medo, avareza ou ambição? Nossas histórias pessoais podem influenciar muito no nosso relacionamento com essa energia.

 

Morávamos eu e minha mãe em uma quitinete de uns 35m2, em cima de lojas comerciais. Éramos apenas eu e ela. Minha mãe na época era corretora de imóveis, e por conta disso, não havia salário garantido. Eu era uma menina de 12 anos estudante da sexta série. Eram tempos difíceis na economia, como este em que vivemos agora, em que o dinheiro valia menos a cada dia e tínhamos medo do amanhã.


Eu passava todas as tardes sozinha, esperando minha mãe chegar no início da noite. Ela sempre deixava um arroz e uma mistura pra quando eu chegasse da escola. Um dia durante a tarde bateu a fome e não tinha mais nada pra comer além de um pedacinho de pão mofado dentro de um saco. Só que a fome era tanta, que eu comi assim mesmo e fui dormir pra esquecer. Deixei um recadinho pra minha mãe escrito assim: " Fui dormir com fome. Se você trouxer algo pra comer, por favor me acorde". Acordei com a minha chorando com o papel nas mãos e me arrependi de ter deixado o bilhete.

Eu não sei se você já passou por algo assim, caso não tenha passado, eu lhe garanto que dói e não é só no corpo não, é um tiro na alma. A sensação de que Deus e os Orixás tinham nos largado, castigava mais do que a fome. Parece que você é menos filho de Deus do que os outros. Essa sensação afeta a nossa crença no amanhã, assim o nosso amor próprio. Ver a minha mãe naquela situação me dava vontade de não existir. Nenhuma mãe merece passar por isso. Nenhuma. Então ao ver ela chorando e sem muito o que fazer, eu voltei a dormir para não preocupa-la mais.

 

São situações como essas que ficam marcadas em nossas vidas, que podem determinar o nosso relacionamento com o dinheiro, além de toda a sociedade educada dentro da cultura cristã, mal dizendo o dinheiro. Tudo isso pode influenciar a nossa relação com essa energia. Nossas histórias podem gerar vários tipos de pensamentos permanentes em nossas cabeças, que se tornam a nossa verdade, que acabam sendo absorvidas pelo nosso Ori. Uma das reações é você passar a acreditar que o dinheiro não foi feito para você, que a sua vida vai ser sempre assim e se entregar ao acaso. Uma outra, é a obsessão, que te faz jurar para si mesmo que nunca mais irá passar por isso e lutar com todas as armas para ser uma pessoa bem sucedida financeiramente, ou, você pode também culpar o dinheiro pelo ocorrido e ficar com raiva dele e acabar o amaldiçoando. Cada um de nós é fruto de nossos próprios pensamentos e crenças. Nossos pensamentos criam a nossa realidade através do nosso Ori.

 

Entender-se e fazer esse exercício de autoconhecimento é importante para que a gente entenda o que dizemos ao nosso Ori sobre o dinheiro, os tais inimigos interiores que precisamos vencê-los diariamente. Se você não acredita que pode ser bem sucedido, e tem isso como verdade, não adianta pedir a nenhum Orixá, pois é seu Ori quem determina a sua realidade.

 

Curar-se de qualquer trauma não é fácil, mas se você partir do princípio e acreditar que todos nós nascemos para sermos felizes esse já é um grande começo.

 

Não existe no Culto Tradicional nenhuma expectativa criada por nós, de que o Orixá vai nos dar dinheiro. Há casos em que a pessoa nasce com um Odu de facilidade para ganhos e os desafios da vida dela serão apenas diferentes. O negativo do dinheiro é também muito intenso. Ele fala da  inveja, dos falsos amigos, da solidão, de atrair gente interesseira e traições vindas de todos os lados assim como  grandes confrontos familiares.

 

Caso você seja como a graaaande maioria, e não tenha um Odu de facilidade para conquistar dinheiro, você precisa entender como é a relação do seu Ori com ele. Depois de resolver essa grande pendência, você precisa arregaçar as mangas e trabalhar, empreender e se desafiar. A filosofia Iorubá oferece tudo o que você precisa para ser uma pessoa próspera, e depois que você tiver a atitude intrínseca em você, aí sim, vem Orixá e te dá todo suporte e bênçãos para você vencer.

 

Atitudes como reclamar e mal dizer o próprio trabalho, assim como falar e desejar mal ao chefe, são vistas como contra-axé em nossa filosofia. Como podemos falar mal dos responsáveis pela comida em nossas mesas? A Ingratidão degenera o nosso axé pessoal. Sabemos que para os Iorubás a palavra é sagrada e desta forma, falar mal do trabalho é estar amaldiçoando o seu próprio sustento.  Não está feliz com o seu trabalho ou com seu chefe? Procure outro emprego, corra atrás, mas não fique praguejando a sua própria vida e esteja atento ao valor do silêncio.

 

Existem casos de pessoas que precisam fazer iniciações e que possuem “pendências” espirituais que podem estar atrapalhando o progresso financeiro. Gente que dá um passo para frente e volta cinco, mas isso é identificado em uma consulta oracular. Resolver esses problemas é curar essa energia que te puxa para trás, mas mesmo assim, não há iniciação ou ebó que traga dinheiro.

 

O nosso ebó de prosperidade é o nosso próprio comportamento. Precisamos encarar a preguiça e a procrastinação como os nossos reais inimigos, precisamos fazer as nossas 24 horas diárias mais produtivas, precisamos nos organizar e focar nossos esforços, sem nos esquecermos da nossa fé e devoção, da nossa família e de nós mesmos.

 

Há dinheiro e riqueza para todos no mundo. Todos nós, independente de religião, raça, gênero ou credo podemos viver uma situação financeira de conforto. Somos nós os responsáveis em mudar  a nossa realidade, através da positividade, do esforço, do trabalho e em tempos de crise, da criatividade.

 

 

Que Obatalá possa abençoar a todos nós com o seus atributos de criatividade.

 

Ire O 

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18.04.2019

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