A gente nas redes

O Amor, Ori e Oxum

 

Me deem licença os autores de autoajuda, mas eu sou tiete até do egun de Tom Jobim e concordo quando ele diz: “É impossível ser feliz sozinho”. Se você não tiver vocação de missionário(a), de monge/monja e por aí vai...  Você vai sentir falta sim, de dormir com alguém ao seu lado e daquele pé gelado na sua perna no meio da madrugada. Não adianta negar. É da nossa natureza, vivemos aos pares.

 

Queremos alguém para dividir as nossas alegrias e vivê-las conosco. Alguém que permita ser cuidado e que cuide de nós. Que compartilhe e se importe. Precisamos de alguém para dar e receber carinho e precisamos de sexo. Não o sexo casual que se encontra a um clique, esse pode até ser bom, mas enjoa. Me refiro ao sexo de verdade, sem personagens, ou até com, mas daquele que você se despe de qualquer máscara e se entrega sem medo. Sexo com amor. Afinal, viver pode ser bom, mas viver em boa companhia, é m̶u̶i̶t̶o̶ ̶m̶e̶l̶h̶o̶r̶ maravilhoso.

 

A gente sabe que a vida é um banho quentinho com pingo gelado. Ninguém tem a vida perfeita. Vejo pelo fluxo de pessoas buscando pelo jogo de búzios. Ninguém vai buscar orientação espiritual para dizer que a vida está muito boa e que gostaria de agradecer. Infelizmente. Ano passado conversando com o meu Bàbá e vendo os jogos de búzios durarem, as vezes, até quatro horas, eu perguntei a ele por curiosidade qual era o motivo principal que motivavam as pessoas a procuravam orientações. Ele sorriu com os olhos por alguns intantes, tomou fôlego e respondeu que haviam muitas pessoas com problemas de ancestralidade, muitos abikus, feitiços,  mas que os motivos campeões eram dinheiro e  amor. Fiquei pasma! Pessoas com situações de relacionamentos mal resolvidos e gente que não é correspondida. Homens e mulheres mal amados durante uma vida inteira, que só se dão por conta depois de 20 anos ou mais. Pessoas que não acertam uma vez, e que só atraem mulheres/homens infiéis, ou atraem pessoas problemáticas no sentido mais amplo da palavra.

 

Não é atoa que Oxum é tão cultuada no Brasil.

 

Oxum, deusa da fertilidade, da prosperidade, da sensualidade, senhora que deu início a sociedade e dona de muitos conhecimentos. Aquela que em alguns itans é a responsável em zelar pela saúde das crianças ainda no ventre das mães até o seu nascimento e finalmente: A deusa do amor.

 

Só tem um probleminha nessa história, Oxum não é Orixá casamenteira e nem dona de  agência matrimônio. Não adianta colocar uma imagem dela de cabeça para baixo dentro de um copo d’água, que ela não vai trazer um bom marido ou boa esposa para ninguém.

 

A pessoa que temos ao nosso lado, ou o padrão de pessoas que atraímos para a nossa vida, nada mais é do que a ação (mais uma vez) do nosso Ori.  Olha ele aí de novo!

 

Se uma pessoa procura Orixá, para resolver problemas de amor, ela só vai conseguir uma solução se o problema dela for oriundo de problemas espirituais, como por exemplo um feitiço direcionado a ela (sim eles existem!), algum problema com a ancestralidade, como uma maldição (sim, elas também existem!) e alguns casos muitos específicos. Todos os outros casos, mais de 99% são resolvidos com culto a Ori.

 

Imagine que o Ori é uma grande antena catalizadora dos seus reais pensamentos e consegue transformar em realidade tudo aquilo que você p̶e̶n̶s̶a̶ acredita merecer. Esse acreditar muitas vezes não está em nosso consciente, ele pode estar em nosso inconsciente, fruto de histórias que vivemos ou de padrões que construímos ao longo da vida.  Entendo que as nossas ações não podem contradizer os nossos desejos.

 

É comum que homens e mulheres, que sofrem com depressão, atraiam parceiros problemáticos ou alguém que não saiba demostrar afeto. É comum que mulheres que tiveram pais agressivos atraiam homens com esse padrão de comportamento. Gente que tem muito medo de serem traída, atrair pessoas infiéis. Assim, como é praticamente uma regra, pessoas que acreditam merecer boas pessoas e companheiras, conseguirem atrair gente no mesmo padrão.

 

A nossa vida é o reflexo do que acreditamos através da atuação de Ori, ele é tão imparcial como a lei da gravidade.  Como podemos pedir que alguém goste de nossa companhia, sem que antes acreditemos que de fato somos interessantes? Isso é incoerente para o nosso Ori. Quando a gente se trata bem, com amor, respeito e limites, o nosso Ori entende que é isso que desejamos para as nossas vidas.

 

A Filosofia Iorubá, repugna feitiços de amarração. Esse tipo de manipulação de energia, vai contra os nossos princípios e valores. O livre arbítrio da pessoas deve ser sempre respeitado.

 

A nossa filosofia nos ajuda a atrair pessoas boas para nossa vida, com a proposta do tão temido e chato: Autoconhecimento. Tenho penado muito com ele, e como já disse em alguns dos meus textos, tem que hora que dá vontade de jogar tudo pra cima e dizer: Que se lasque!  Só que o Ori que se expande, não volta nunca mais para o tamanho original. Ele não aceita mais viver na ignorância.  Já era, não tem como voltar atrás. Estamos dentro do desafio de nos tornarmos pessoas melhores para nós mesmos, para que essa conquista, seja posteriormente refletido no nosso mundo exterior.

 

E agora? Onde Orixá, fora Ori, entra nisso tudo?

 

Eles nos a̶j̶u̶d̶a̶m̶ auxiliam a conquistarmos o amor próprio, a enxergarmos em nós mesmos os nossos reais valores. É neste momento que podemos pedir a Oxum: AMOR. O amor por nós mesmos. Vamos juntos pedir à Ela que o Seu abebé reflita a imagem de quem somos, e que assim possamos nos ver de uma maneira tão plena a ponto de transbordarmos esse amor. Além de Oxum, podemos também cultuar Xangô, para auxiliar na conquista de uma melhor autoestima. O grande Rei ajuda o seu devoto a enxergar a sua própria realeza. Podemos adorar Obaluaiyé, o Rei que cura as feridas emocionais, até mesmo das que nasceram devido as decepções amorosas que já passamos na vida, que nos impedem de olhar para  o futuro com otimismo. Vamos cultuar Obatalá, para que ele nos dê tranquilidade e alegria de viver.  

 

Que Oxum, Xangô, Obaluaye e Obatalá possam nos abençoar com vidas cheias amor.

 

Ire O

Ifasola.

 

*Leia mais textos sobre Ori AQUI.

 

* Imagens: Google search image - Modelo desconhecida.

 

 

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18.04.2019

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