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O Culto aos Orixás tem futuro no Brasil? Parte I

Não sei responder esta pergunta, principalmente quando olho para os nossos barrações em dia de festa, nossos ilês e roças. Mas asseguro que está mais para um NÃO do que para um sim, disso eu tenho certeza. E por quê? Porquê quase não há jovens entre nós. Somos egoístas e imediatistas demais para pensar no futuro da nossa religião. Não sabemos cativar nossas crianças e nem mostrar o nosso propósito.

 

Há alguns meses atrás, em uma palestra com o meu Bábà, ele abriu espaço para perguntas, depois de uma palestra sobre Ajê. Foi aí que um menino de 11 anos,  neto e filho de uma família da casa perguntou sem medo:

 

-       Por que eu não sinto os Orixás?

 

A pergunta me pegou de surpresa, e me fez refletir muito. Conto a resposta do Bábà no final do texto da Parte 2.  :)

 

 

Enquanto isso, as igrejas evangélicas se organizam em vários grupos focados nos jovens, promovem encontros entre solteiros, para que os adeptos se unam e formem novas famílias evangélicas. Pasme: Eles tem até aplicativo, tipo um Tinder. Resgatam jovens drogados ou em situações de marginalidade, abrem escolas e universidades formando cada vez mais devotos. Estão errados? Claro que não. Eles estão cuidando do futuro da forma que eles acreditam ser melhor para o mundo.

 

E a gente?  Nós não olhamos para as nossas crianças, nossos jovens e também não damos nenhum incentivo para que irmãos de fé se unam, pelo contrário, muitas vezes isso só gera fofoca e desconforto dentro dos ilês como se fosse algo errado. Claro que também não acredito numa atmosfera de “pegação” dentro das casas. Não é isso.

 

Quantas crianças e jovens tem na sua casa, entre 10 a 23 anos? Se puder, responda nos comentários por favor.

 

O mundo muda a cada nova geração e agora  estamos na “Era do Propósito”. Vou explicar minha visão: Os jovens, ou, uma boa parte deles, foram criados pelos seus pais com a mão mais leve, com menos palmadas, com um pouco mais de humanidade e eles tem uma visão de vida  diferente de duas gerações atrás. Eles não querem apenas ter dinheiro, constituir família ou ter um emprego dos sonhos. Eles querem um propósito, um sonho e algo que dê sentido a vida deles, que os façam ser diferentes no meio do todo. Porquê eles cresceram ouvindo dos pais que eles eram especiais  e agora eles precisam concretizar.

 

Essa geração não vai aderir em sua vida nada que os  faça se sentirem presos, inferiores ou menos importante do que ninguém. Não vão, podemos esquecer essa possibilidade! Eles não vão se submeter a fazer algo que não tem explicação ou nenhum tipo de fundamento. Eles conseguem respostas para quase tudo no Google. Ou entendemos isso como um fato, ou podemos ter certeza que os dias de culto aos Orixás estão contados. Precisamos evoluir sem perder a nossa essência.

 

Sabe o que temos para oferecer à esses jovens? Algo que nos torna senhores (as) de nossas vidas, com uma essência divina individual. Podemos dizer a eles que eles são capazes de mudar a própria história, independente do lugar que ela começou. Podemos afirmar com segurança,  que eles são de fato capazes de buscar os seus propósitos. Sabe como? Com o culto a Ori e com o culto de outros Orixás que são necessários para vencermos os desafios da vida.

 

Como?

 

Leia na Parte II deste texto :)

 

Ire O
Ifásolá

 

Imagem: Teen Vogue

 

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18.04.2019

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