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O que os seus Inimigos Internos te dizem?

24.08.2016

Mais de 30 anos de vida cultuando Orixá e apenas há 7 com compreensão da importância de Ori. Eu podia ter feito muito mais por mim e pelos meus, se eu tivesse aprendido desde cedo sobre o nosso primeiro Orixá. Antes só havia culto a Ori no Bori, mas tenho fé e atitude, que ainda posso recuperar o tempo perdido. 

 

Sabe quando você jura que sabe de algo, e um belo dia descobre que você não sabia de nada? Tipo quando a gente entra na vida adulta e olha para trás e lembra das nossas atitudes  super bobas na adolescência? Igual.

 

Demorou muito para eu entender que rezar para Orixá, seja qual for, e não cultuar Ori é o mesmo que não rezar para ninguém. Parece exagerado né? Mas nenhum Orixá faz nada sem a permissão de Ori. Eu acreditava que já tinha entendido isso, mas não. Eu estava descobrindo a pontinha do iceberg.
 


Ainda estou descobrindo quais são as permissões que o meu Ori dá aos Orixás e Ancestrais. Você conhece as suas?

 

Vamos ver se conhece.

 

A gente acredita que se conhece né? A gente jura que sabe quais são os nossos pontos fracos, mas na maioria das vezes a gente fica dando cabeçada na vida, sem entender por que as coisas não dão certo, ou por que os orixás não atendem os nossos pedidos, nossos ebós e muitas vezes as nossas lágrimas.

 

Muitos dos momentos em que eu quis desistir de Orixá e jogar tudo para o alto, foram nesses momentos. Me senti só e nunca prestei atenção quem eram os meus inimigos internos.

 

Sabe aquele provérbio iorubá:” Quem vencer o inimigo interno não deve temer o inimigo externo” ?

 

Eu pensava assim ó : Vai ser mole vencê-los. …
Ô minha gente, ser ingênua é uma gracinha, né? Ou não.

 

Desde que eu me iniciei em Ifá, muitas coisas mudaram. Mas não mudaram externamente, mudaram aqui dentro. Passei a prestar mais atenção em mim mesma, e observar as minhas reações diante de várias situações, tantos as boas quantos as ruins. Fiquei muito surpresa. Percebi que o ser humano, aprendeu que é mais fácil acreditar que as coisas piores são mais fáceis de acontecer, e que até quando estamos diante de uma situação e um momento bom, tem uma vozinha, “abençoada”, que nos diz que a maré vai mudar.

 

Com isso aprendi a vagar em meus próprios pensamentos como uma expectadora, como se eu estivesse escondida apenas os observando. Escuto de mim tantas coisas absurdas, dignas do meu pior inimigo. Talvez nem um inimigo me fosse tão cruel. Frases daquelas que machucam e demoram a cicatrizar.

 

  • Você não é capaz.

  • Você não vai conseguir.

  • Você nasceu para sofrer nessa vida.

  • Você não é bom(a) o suficiente.

  • Você vai se dar mal de novo.

  • Você não é ninguém.

  • Você não merece.

  • Tem certeza que você merece?

  • Você está só.

  • Você é feia(o)

  • Você burra(o)

  • Nada vai dar certo.

  • Todos são melhores que você.

  • Ninguém gosta de você.

  • É muito difícil para você.

  • Vai dar tudo errado.

  • Coisas boas não foram feitas para você

  • Você sempre tem que sofrer antes de conseguir as coisas

  • Tudo é mais difícil na sua vida do que na dos outros

  • Ela(e) vai me deixar, porque eu não sou boa(m) o suficiente

 

Tenho certeza, que muitos desses pensamentos vagam na sua cabeça nos momentos em que você não está prestando atenção no que está pensando. E não é uma vez no dia não… são várias vezes.

 

Sabe quando eles aparecem para mim? Quando estou distraída, fazendo algo em modo automático, dirigindo, repetindo caminhos rotineiros, dentro do elevador, um pouco antes de dormir... Esse tal inimigo, que nos fala coisas tão cruéis, acaba nos dizendo o que fazer, e sem perceber, começamos a tomar atitudes que justamente nos levam para o caminho oposto dos nossos sonhos. Esses pensamento dizem coisas horríveis, e acabam  impondo limites e criando regras. O que acontece? Passamos a não acreditar em nós mesmos. Tiramos a força de concretização do nosso Ori. Os inimigos internos, esses pensamentos, não permitem que cada um de nós, veja a beleza que tem e reconheça o valor dos nossos esforços. Ele não permite que eu veja de fato quem eu sou. Ele nos prende num passado, e não percebe que as experiências que tivemos, tem o poder de nos transformar, em pessoas melhores e mais capacitadas para a vida.
 

Enquanto eu o espiava, ele repetia os meus maiores medos em meus pensamentos, diversas vezes, como um rato que come a minha comida de madrugada e depois se esconde.

 

Cheguei mais perto de cada um desses medos que me mantinham engessada no passado, e passei a procurar a origem deles. Com calma e com lógica. E no meio do processo, percebi o quão difícil é não mentir para nós mesmos. Nós mentimos o tempo todo. Dizemos aquilo que gostaríamos que fosse, por que temos medos da verdade, ou ela não é conveniente. Esse processo é árduo e demorado, pois o meu próprio inimigo me faz ter medo de tentar, sinto como se eles aprisionassem o meu Ori.

 

Vendo isso tudo acontecer dentro da minha cabeça, resolvi pedir ajuda aos Orixás e a Ori de uma forma diferente. Primeiro identifico o inimigo, se é um inimigo que por exemplo me impõe limites, cultuo Oyá; se é algo ligado a paciência, tolerância e equilíbrio, rogo a Exú; se o meu inimigo for ligado a relacionamentos, cultuo Oxum e Egbé; se ainda não consigo nem ao menos ver ou perceber esses inimigos, cultuo Yemojá para que eu possa encontrar motivação para lutar pela vida, ou Obatalá, para que eu tenha clareza em meus pensamentos.

 

Somos abençoadas(os), temos a proteção de Deuses que estão com a gente, na busca de sermos vitoriosos. Somos abençoados por uma filosofia de vida que compreende a complexidade da mente humana, a partir do culto de Ori. Precisamos combater esses inimigos, para que Ori possa brilhar, para que Orixá possa atuar.  

 

Se eu puder colocar algumas frases nos corações das pessoas que tem um ìwá rere (bom caráter), elas seriam:

 

Troque seus traumas e inimigos internos por amigos;
Permita-se ser feliz;

Acredite em você;

Tenha fé;

A vida não tem preferidos;

Quem diz o nosso valor, somos nós mesmos.

 

Ire O

Ifásolá.

 

Imagem: Play Art Forever | by Celia Bast

 

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