A gente nas redes

O Poder e a Importância da Gratidão - Feliz 2017!!!!

Certa vez escutei a seguinte conversa, entre um devoto de Orixá e o seu Sacerdote:

 

       _ Você é uma pessoa que tem Gratidão? Perguntou o Sacerdote.
 

       _  Sim. Eu sou! Respondeu o devoto, com firmeza na voz.


Ele abaixou a cabeça, deu um discreto sorriso de canto de boca e continuou:

 

   _ Podemos enganar a todos, menos ao nosso Ori. Ori sabe quando agradecemos apenas para que possamos ser merecedores de mais bênçãos.

Congelei.

 

Naquele momento fiz uma auto-análise  de quantas vezes agradeci por agradecer, jurando que eu podia enganar o Universo. O Universo? Talvez. Meu Ori? Jamais.

Compreendi naquele momento que a gratidão não é apenas uma palavra e sim um Estado de Espírito. Sem dúvida já houveram muitas gratidões verdadeiras em minha vida, mas também sei que existiram aquelas da boca pra fora.

Minha memória me lançou para um dos momentos em que mais senti gratidão em minha vida, pela ação de Orixá.

Em 2012, minha filha de apenas 6 meses de vida passava pela segunda pneumonia. A saúde dela era bem frágil. Ela estava indo para o 3º antibiótico, e não havia nenhum mais forte que pudesse ser dado à ela caso esse não surtisse efeito. O pânico tinha tomado conta de mim. Passei a gravidez tomando todos os cuidados necessários, devidos aos avisos que recebi. Tive uma gravidez muito sofrida. Eu não conseguia dar 10 passos sem sentir dor, a partir do sexto mês de gestação. 

 

Meu Pai foi para o jogo. Faríamos um ebó para Egbé Aráagbó, o Orixá, a Sociedade dos Espíritos Amigos, a nossa Família Espiritual.

Minha filha não era a única. Para quem acredita em coincidências, haviam mais três mulheres com gravidez de alto risco, passando por problemas bem sérios, que comprometiam a vida das crianças e até mesmo das mães. O típico do fenômeno abiku.

 

Passaram-se quase 5 anos que isso aconteceu. Minha filha desde então tem uma saúde estável. Todas as mulheres gestantes que estavam participando naquele dia, tiveram seus filhos com saúde em seus braços.

Ao me recordar de toda a história, a gratidão ao meu sacerdote e ao orixá, tomaram conta de mim. Foi aí que pude compreender ainda mais a exata mensagem daquele Babalorixá.

 

Nada. NADA no mundo pode pagar por isso. Não há dinheiro, poder ou nada material que pague para uma mãe, que ama seu filho, ter seu filho salvo e com saúde em seus braços.

 

Me sinto  feliz, abençoada, protegida, agraciada e honrada. Sinto GRATIDÃO.


A Gratidão nos torna pessoas melhores, por que ela cala a solidão e o medo que sentimos do mundo, alimenta a esperança de dias melhores e faz com que este lugar, chamado por nós de aiyé, ganhe ares e cores mais alegres. A Gratidão é capaz de tornar o nosso coração maior e possui o grande poder de fazer com que o nosso Ori, torne-se receptivo para as boas coisas da vida.

 

Quem cultua Orixá, deve compreender como as energias do universo funcionam, e a primeira lição é :

 

Nós atraímos para a nossa vida a mesma energia que emanamos.

 

E como diferenciar a falsa gratidão da genuína?

 

A falsa gratidão é egoísta. Somos capazes de ouvir láááááá no fundo dos nossos pensamentos as segundas intenções. Ela praticamente acaba no ato de dizer: Obrigada.

Já a Gratidão genuína, esta não acaba, podemos acessá-la ao apenas nos lembrar, e pode nos fazer até chorar de emoção. Ela é um olhar terno para quem nos agraciou, acompanhada de uma vontade súbita de poder fazer o mesmo, ou gerar o mesmo sentimento que a gente recebeu em outra pessoa. A verdadeira Gratidão, nunca seca. Ela gera generosidade, bondade, felicidade e alegria em nós. E aí sim, ela retorna para nossas vidas através de novas graças, gerando ainda mais Gratidão, e tem o poder de fazer com que Ori atraia para a nossa vida a energia que estamos cultivando.

 

A gratidão faz parte da Filosofia Iorubá, e é um dos atributos importantes e valorizados por este povo.

O Meu Coração Africano é um pouco do exercício da gratidão que tenho em minha vida, por tudo que sou agraciada pelo meu Ori, pelos Orixás e pelos nossos Ancestrais todos os dias, mesmo daquilo que eu não compreenda de imediato.

 

O ano de 2016 foi um ano de muitas perdas, do fim de muitas histórias e da queda de muitas máscaras. Seja nas nossas vidas, no nosso país  ou no mundo.
 

Muitas coisas apodrecem de dentro para fora, e não percebemos que elas não cabem ou não prestam mais para as nossas vidas. Para que novas chances de  novos recomeços, sejam dadas para a nossa vida. Tudo que não nos serve mais precisa ir embora, e este é um momento em que precisamos ser mais racionais do que emocionais. Afinal, nenhuma mudança é indolor. Todos os pedidos feitos com fé, estão passíveis de mudanças, sejam elas internas ou externas. 

É com este olhar e compreensão, que me faço grata pelas lições deste ano, e me despeço de 2016 mais forte e ansiosa pelo novo e pelos frutos que plantei.

Apenas para terminar essa prosa:

 

Meu tio de santo, Bàbá Ricaule do Ifá Aje, daqui de Brasília,  filho de Oxóssi, me disse esta semana, algo que não vou mais esquecer. Ele relatou que ao começar a viver o Culto Tradicional Iorubá, Oxóssi saiu das matas e veio viver os seus atributos em seu cotidiano.

E é isso que este Coração Africano aqui, gostaria de desejar com muita gratidão a cada um dos outros mais de 
40.000 Corações Africanos espalhados por todo mundo, em menos de 1 ano de existência desta página:

Que o seu Orixá saia da mata, do fogo, dos ventos, da cachoeira, do mar, da terra, das pedras, dos raios e do trovão, e que assim, você o traga para a história da sua vida. Que você compreenda, viva e permita que o seu, ou os seus Orixás, atuem em suas atitudes desta existência. Pra te lapidar, te moldar, te melhorar, te fazer enxergar e progredir, para que aí sim, o seus próximos 12 meses de 2017, sejam de fato um ano novo, com gratidão, garra, paciência, tolerância, respeito e sabedoria.


Feliz 2017! :)

 

Ire O

Ifásolá Sówùnmí 

Saiba mais sobre a autora AQUI.

Fonte Oral:

Babalorixá Fernando Ifaseun e Ìyalorixá Lena Ìgbá, meus orientadores e exemplo, que me fazem querer ser melhor a cada dia, sacerdotes do Templo Egbé Aiyé, vinculado ao Oduduwa Templo dos Orixás que tem como o principal sacerdote o Babalorixá Sikiru Salami (Babá King).

Imagens:

01.Imagem 01 Foto de 'sholgk' em Flickr

02. Imagem 02 http://www.mensagens10.com.br/

 

Please reload

Posts Recentes

18.04.2019

Please reload