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Dependência e Independência - No Culto aos Orixás

 

Quando se é uma pessoa com a alma inquieta, é normal buscar respostas durante uma boa parte da vida. Muitas vezes isso acontece em um silêncio íntimo, em que o mundo externo nem percebe que há uma bomba atômica eclodindo dentro de nós.

 

Por conta dessa inquietude sempre precisei dar uma atenção extra ao  meu Ori, até quando ainda nem sabia o que era um Ori, justamente para que ele conseguisse encontrar um lugar  de paz em meio a tantas reflexões. Era necessário um momento mudo e tranquilo, que me permitisse olhar pela janela e observar a paisagem enquanto estivesse nesta viagem chamada vida.

 

Todos nós precisamos dar uma atenção extra para o nosso Ori, principalmente em finais de ciclos, desses que nos fazem repensar a vida que construímos e olhar com mais atenção a nossa colheita. A demissão de um  trabalho, o fim de uma longa amizade ou relacionamento, a saída da casa dos pais, o fim do ensino superior, a morte dos nossos pais ou alguém importante, entre tantos outros que nos tiram do eixo. A verdade é que a gente sai da casinha e dá uma pirada mesmo nesses momentos, e o mundo nunca pára para que a gente tenha o direito de viver o nosso próprio luto.

 

E como nós filh@s e devotos de Orixá podemos nos cuidar em momentos assim? Quais são as ferramentas disponíveis  nesta religião,  que nos são dadas para que possamos passar por esses momentos de uma forma equilibrada sem criarmos ainda mais problemas? Equilibrando/Acalmando o nosso Ori.
 


Somos uma das poucas religiões que reconhece que há dentro de nós uma divindade com poderes extraordinários.

 

 

Eu aprendi depois de vir para o Culto Tradicional Iorubá, que eu não precisava mais esperar a agenda do pai/mãe de santo para muitos casos, pois eu mesma podia me cuidar em muitos aspectos. Não precisava em todas as situações aguardar ele/ela poder me atender para uma conversa ou um jogo ou  um banho.  Até porque nunca gostei de incomodar, sempre pensei que os outros deviam ter problemas maiores que os meus, e que eu podia esperar. Sem falar que sempre tem fila para falar com pai/mãe de santo, que é mais disputada do que a fila do INSS.

 

Antes eu rezava e pedia aos Orixás para me ajudarem nessas horas, era o que eu sabia fazer, e eu não sei te dizer se funcionava ou se apenas me acalmava momentaneamente, mas era só o que eu podia fazer e o que era autorizado pelo sacerdote. Aprendi que não devíamos fazer praticamente nada para nós mesmos além da fé,  logo nada era ensinado.

 


Hoje algumas coisas mudaram, pois posso consultar o meu próprio Ori através do Obi. Numa ritualística que é autorizada pel@ Sacerdote(isa). Também tenho a opção de usar o efun que me foi dado no último Bori, assim como outros recursos que nos são dados após esse ritual, para que justamente possamos ter uma provisão, caso seja necessário. Eu aprendi e fui autorizada a fazer banhos para o meu Ori.

 

No Culto é normal por exemplo que uma pessoa dê um Bori a cada 06 meses, e isso nada tem a ver com merecimento, justamente porque compreendemos que um Ori que não esteja harmônico, não consegue absorver o axé necessário dos outros Orixás, como já expliquei em outros textos.

 

Qualquer um pode e deve fortalecer o próprio Ori no Culto Tradicional, independente da pessoa ser ou não iniciada. A única coisa que ela precisa é receber o ensinamento, ser instruída corretamente e ter um espaço com o Sacerdote(isa) para esclarecer dúvidas.

 

Isso é um tipo de autonomia e independência, que eu acredito que todo filho/devoto de Orixá precisa ter.

 

Em um dos primeiros textos que escrevi para a página, falei sobre a felicidade de ter os meus Igbás dentro da minha casa, e poder ter uma relação íntima e diária com cada um deles. Eu mesma e minha família damos o Osé, oferecemos comidas secas e entoamos cânticos para todos eles juntos. A responsabilidade de manter o Igbá ativo é nossa. O contato com todos os Orixás passou a ser diário, e hoje  posso colocar a cabeça no meu Igbá e conversar com os meus Orixás com privacidade e isso me faz viver Orixá no dia a dia.

 

Não estou aqui para julgar que este formato é certo e qualquer outro modo esteja errado, estou aqui falando o que funciona para mim. Até porque mesmo dentro do Culto há devotos de Orixá que não estão preparados para ter toda essa independência, pois preferem a dependência do Sacerdote do que tomar suas próprias decisões, como se os Sacerdotes fossem de fato pai e mãe.

 

Sacerdotes devem ser orientadores, conselheiros e professores e jamais assumir um papel que crie dependência emocional ou psicológica. Pois assim estarão formando pessoas que não assumem as responsabilidades de sua vida.

 

Responsabilizar alguém é muito fácil, pois nos exime da colheita. Buscar os nossos erros nas atitudes e pensamentos é doloroso, pois nos impõe regras de comportamento, nos faz avaliar com sinceridade e bom senso os nossos ewós, no caso de iniciados em Orunmilá, pois sempre encontraremos o passo errado ou atalho que tentamos pegar. Não existem caminhos rápidos, mesmo para os que nasceram com dons ou facilidades. A vida é muito rápida para tirar a sorte da mão do preguiços@.

 

Temos duas escolhas, ou nos assumimos como devotos de uma religião rigorosa que exige de nós um comportamento exemplar ou vivemos a sombra dos erros que cometemos e assim andaremos em círculos, repetindo a mesma história dezenas de vezes. A escolha é individual e as consequências atingem todos que estão ao nosso redor.

 

Todos nós nascemos dependentes e a vida nos ensina com pulso forte que na verdade estamos sozinhos, é por isso que a independência é uma questão de sobrevivência, e é o que fará de nós pessoas vencedoras, ou não .

 

 

Ọ̀nà’ re o - (Um bom caminho para você)


IfáṢọlà Sówùnmí - Fernângeli Aguiar

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As informações contidas neste texto, não representam uma verdade absoluta e podem variar de acordo com a família ou região dentro do Culto Tradicional.

 

 

MUDANDO DE ASSUNTO

 

 

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