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O Que Buscamos na Religião dos Orixás?

 

 

Seria mais fácil, em um ponto de vista social, se tivéssemos escolhido  uma religião cristã. Os compromissos, as responsabilidades e os esforços são menores para os cristãos, além de serem mais baratas também.

 

Por que você escolheu cultuar Orixá? Honestamente?

 

Espiritualidade?
Autoconhecimento?

Reconhecimento?

Sacerdócio?

Acolhimento?

Ancestralidade?

Necessidade?

Confete?

 

O culto aos Orixás é uma das poucas religiões do mundo,senão a única, que trata do homem com individualidade. Você já parou para prestar atenção nisso?

 

Cada um dos ilekes, idés, guias e contas coloridas que você carrega no corpo contam com carinho o que há em sua essência divina. Olha que mágico: Um oráculo é consultado, em um contato breve com representantes de Deus, para que saibamos mais sobre nós, quem somos, para onde vamos e como podemos ter uma caminhada mais promissora. Em nossa religião somos indivíduos, unos, em nossa maneira de ser e na nossa história ancestral.

 

Qual religião faz isso?

 

A maioria coloca todos nós no mesmo saco.

 

E apenas por isso já seria o suficiente para que nos apaixonássemos e escolhêssemos essa fé e maneira de crer para chamar de NOSSA.

 

Mas o ser humano tem uma capacidade incrível em destruir ou no mínimo estragar coisas maravilhosas. Basta olhar para a crise ambiental que vivemos mundialmente. Isso porque dependemos da própria natureza para sobreviver e existir.

 

Vivi o meu momento de carregar um único fio de Obatalá no pescoço, o que era sinônimo de orgulho em pertencer a um Ilê. Aquele colar simples no pescoço dizia silenciosamente: Os Orixás tomam conta de mim. Que orgulho!

 

E aí começa a ação do homem, da cabeça não grata e de repente temos a capacidade de transformar uma jóia sagrada em uma insígnia, uma patente. Quanto mais fios, maior a importância... e o significado vai sendo modificado do pertencer e ser visto pelo sagrado para: SER MAIS DO QUE O OUTRO.

 

No Culto Tradicional Iorubá, pouco importa quantos colares você carrega no pescoço. Isso não nos dá importância nenhuma perante a ninguém. Na verdade é um costume que não temos e estranhamos quem exiba uma grande quantidade de colares, mas o senso destrutivo e a auto-afirmação parecem ser inerentes ao homem, assim como a vaidade perante a sociedade e a  comunidade. Pois os comportamentos continuam sendo semelhantes,  e as  pessoas continuam em busca do reconhecimento, do poder e da necessidade em SER MAIS DO QUE O OUTRO, mas usam de outros artifícios como um Odu Ifá, viagens à África e/ou um número “x” de iniciações.

 

Parece que não nos basta ter uma religião que já reconhece a nossa singularidade.

 

Aqui ou acolá a necessidade em se firmar como alguém importante dentro da comunidade religiosa parece não ter fim. A busca pelo sagrado de repente passa a ter uma papel secundário dentro da religião e a necessidade em ser ESPECIAL passa a guiar o comportamento religioso, e não mais os Orixás.

 

Dentro do culto aos Orixás, configura-se o auge do poder desse “SER ESPECIAL” ou “O ESCOLHIDO”  pela figura do Sacerdote. O que dentro de todo este contexto mais parece um Cargo de CEO em uma Multinacional, do que um Ser Humano que precisa  dedicar-se a vida de outras pessoas.

 

Isso não pode estar certo!

 

Ter como missão instruir a vida de alguém é muito mais do que ter um status maximus dentro desse mundo de ostentação que criamos.

 

Fizemos SIM essa grande bobagem!

 

Qual é o status social atribuído à um padre ou uma freira? Nenhum. E é por isso que a igreja católica precisa fazer campanhas anuais do despertar da vocação sacerdotal.

 

Vamos ser sinceros? Quantos de nós tem o axé, a humanidade, o caráter, a dedicação, a disciplina, a empatia, o tempo e o conhecimento para exercer um Sacerdócio? A maioria de nós mal consegue ver os próprios defeitos, e nem ao menos é capaz de identificar os erros cíclicos que estão sempre de plantão na nossa porta, mas como aprendeu a jogar búzios e a fazer meia dúzia de ebós, considera-se apto a atender e aconselhar pessoas.

 

Volto a perguntar: O que você busca dentro da Religião dos Orixás?

 

Vou te dizer o que eu busco:

 

Eu busco o acolhimento dentro da espiritualidade, pois é nela quem me apego para seguir com a esperança. Busco a força da minha ancestralidade para seguir em frente sabendo quem eu sou e do que posso ser capaz. E aprendi a buscar o autoconhecimento. Acredito que existe a possibilidade do sacerdócio? Sim... pode ser, mas não como um objetivo e sim como uma consequência.

 

E sabe o que acredito também? Que precisamos individualmente analisarmos os nossos objetivos, pois a religião precisa de representantes e líderes capazes de nos orientar com sabedoria e não apenas mandingueiros capazes de fazer um ebó.

 

Aqueles que buscam algo que não está alinhado com a filosofia dos Orixás, talvez seja o momento de avaliar, se cultuar Orixá é algo que seja importante para a sua vida espiritual ou para seu Ego.

 

 

Ọ̀nà’ re o - (Um bom caminho para você)
IfáṢọlà Sówùnmí - Fernângeli Aguiar

 

 

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As informações contidas neste texto, não representam uma verdade absoluta e podem variar de acordo com a família ou região dentro do Culto Tradicional.

 

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