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A Visão sobre o Suicídio dentro da Religião Tradicional Yorúbà. Como identificar e ajudar?

Já pegando carona em uma fala do Bàbá King, sacerdote do Oduduwa Templo dos Orixás, no último Festival de Xangô e das Iyabas em agosto de 2017  e colocando aqui a minha visão, preciso muito dizer para vocês: Manos e Manas de fé, nós NÃO estamos em evolução, basta observar a humanidade. 

 

Se estivéssemos em evolução a realidade do mundo seria outra. Vamos encarar o mundo intolerante, preconceituoso, colérico e cheio de ódio em que vivemos. Perceba a sutil diferença entre afirmar que estamos em evolução e dizer que precisamos nos melhorar.

 

A tecnologia evoluiu assustadoramente, a medicina também progrediu, mas as nossas almas… estão cada vez mais doentes. E eu sei que este assunto é chato, mas nós precisamos falar sobre ele, para que estejamos preparados, caso um dia ele bata em nossas portas.

 

Os valores da sociedade estão todos do avesso e a tecnologia tem ajudado nesse processo de deterioração do espírito. Estamos imersos em nosso egoísmo, queremos ser amados, mas não sabemos mais dar amor. Não é a toa que falo tanto aqui, de forma insistente sobre sermos melhores a cada dia.

 

Não vou me alongar nos sintomas que evidenciam as doenças na alma e toda a sua falta de moral, ética, caráter e altruísmo, para mas peço que parem para pensar comigo e se possível levem este assunto para dentro de seus Ilês.

 

 

Nós não nascemos para ser sozinhos.

Quer Amor?

Dê Amor.

Saiba receber Amor.

 

 


A falta de amor, atenção e carinho mata a alma aos poucos. Perdemos a razão de existir. Quantos de nós está afogado em sua solidão? Lancem um pequeno olhar para um dos indícios que acontece nas redes sociais, prestem atenção no culto ao Ego, a quantidade de selfies, o desespero das pessoas em mostrar que são felizes, lindas e bem resolvidas e a escravidão às reações virtuais (curtidas, compartilhamentos e comentários). Começamos a medir a nossa aceitação, felicidade e sucesso social virtualmente num mundo em que as pessoas não são o que dizem ser, e que normalmente não titubeiam em mostrar o seu ódio através da intolerância.

 

 

Perdemos a habilidade de nos comunicar e de ouvir a voz do outro. Não sabemos abraçar e nem ser abraçados. Não sabemos ouvir o outro porque estamos muito ocupados querendo falar e ser ouvidos. Não damos atenção aos nossos filhos porque estamos sempre muito ocupados e sempre respondemos: “Daqui a pouco!”. As amizades são por interesse e amar é sinônimo de fraqueza. Perdemos o contato com a terra, com as árvores e com a natureza. Estamos acabando com a água no mundo, produzimos mais lixo do que o planeta é capaz de reciclar em curto espaço de tempo. Temos novos Deuses: O dinheiro, o poder e a vaidade. O respeito, a educação e a gentileza são coisas tão raras como o ouro. Estamos todos na defensiva, perdemos a habilidade de vivermos em comunidade  e nos tornamos sozinhos.

 

 

O aumento da taxa de suicídio é uma das consequências deste mundo que criamos.

 

 

A religião muitas vezes é nociva ao ser-humano, mas consigo facilmente fazer um paralelo ao aumento de pessoas/jovens que simplesmente não possuem o menor interesse  sobre espiritualidade com a crescimento mundial da Taxa de Suicídios. Infelizmente a espiritualidade está ligada conceitualmente à religião, e os jovens tem argumentos fortes como: Pessoas morrem muito mais por causa da religião do que por doenças.

 

Sem a visão de futuro, sem a esperança, sem o senso de justiça divina e até mesmo sem conceito de consequências espirituais, deixamos os nossos instintos mais primitivos prevalecer e até mesmo a vida perde o seu valor. Mas existem filosofias religiosas capazes de edificarem o homem, e a Yorúbà é uma delas.

 

 

Qual a visão sobre o suicídio segundo a cultura Yorúbà?

 

A saúde e os filhos é o que os Yorubá veem como o que há de mais importante na vida, e a vida já é por si a maior dádiva. Sagrados são aqueles que morrem com a idade avançada, isso sim é prosperidade! 

 

Segundo Bascom, em Sixteen Cowries (tradução do Inglês para o Português), que teve como a sua principal fonte o Yorúbà Sàlàkọ (in memoriam), awolòrìsá no culto de Ọrișálá, em Ọyọ, - “ Pessoas que morrem antes de seu tempo, continuam na terra como fantasmas, permanecendo em cidades distantes aonde não possam ser reconhecidas, até que chegue o dia indicado por Ọlọrun, momento que “morrem” uma segunda morte e seguem para o céu. Quando as três almas lá chegam, Ọlọrun lhes prescreve um “um bom céu” ou um “mau céu”, dependendo de seu comportamento na terra. Aqueles que foram enviados para o “mau céu” jamais poderão ser restituídos à vida através da reencarnação; tampouco podem os suicidas, as quais nunca alcançam o céu mas se tornam espíritos malignos, que se dependuram às copas das árvores, tais como morcegos ou borboletas.”

 

 

Quais Orixás que podem nos ajudar na prevenção ao suicídio?

 

O nosso Ori conhece todas as nossas feridas interiores. Um Ori que é cultuado luta para cumprir a sua missão. Todo o culto aos Orixás visa pela preservação da vida, todos os Orixás falam da valorização da vida. Me atrevo a citar poucos aqui, mas com receio de esquecer algum muito importante:

 

  • Ori

  • Egungun

  • Orunmilá

  • Egbé

  • Kori

  • Obatalá

  • Obaluaiyê

  • Oyá

  • Oxum

  • Xangô

  • Yemojá

  • Exú

  • Ogum

  • Iroko

  • Olojó

 

Todos estes Orixás, dentro do Esin Orisa Ibile, assim como em nossa Cultura e Filosofia, trabalham a valorização da VIDA, a motivação de viver o progresso, a vitória, o amor e o valor comunidade. Precisamos SIM trabalhar todos esses valores dentro de nossas casas (civis e de axé) e olhar para as nossas crianças e jovens e trazê-los para viver Orixá. Orixá é a força que precisamos para nos reencontrar, é a filosofia que fornece e fortalece valor e sentido à vida, da nossa e a do nosso IRMÃO(Ã).

 

Não estou dizendo aqui que devemos arrastar os nossos filhos a força para dentro de nossas casas de Orixá, mas estou dizendo que dentro do Culto aos Orixás temos todos os remédios para essa pandemia, e que através do culto a Ori, a Ancestralidade e aos Orixás, é possível nos reencontrar como seres humanos.


 

 

 

Precisamos encarar como uma realidade e não um dado estatístico

 

Segundo dados da agência da ONU, mais de 800 mil pessoas morrem por suicídio todos os anos no mundo, sendo a segunda principal causa de morte entre jovens com idade entre 15 e 29 anos. Segundo os dados da OMS, o Brasil é o país com maior prevalência de depressão da América Latina e o segundo com maior prevalência nas Américas, ficando atrás somente dos Estados Unidos. 

 

De acordo com a OPAS/OMS, os suicídios podem ser evitados com uma série de medidas que podem ser tomadas junto à população, subpopulação e em níveis individuais.

 

A seguir o conteúdo fornecido pelo Governo do Estado da Bahia

Para ler ou imprimir a cartilha:

http://docplayer.com.br/48224020-Falando-abertamente-sobre-suicidio.html

CIAVE -  Centro Antiveneno da Bahia

NEPS - Núcleo de Estudo e Prevenção ao Suicídio

 

 

DIANTE DE UMA PESSOA COM RISCO DE SUICÍDIO, O QUE NÃO SE DEVE FALAR:

 

Durante a conversa lembre-se de não:

·      Julgar/Criticar: “Isso é fraqueza! ”, “Isso é loucura”

·      Minimizar o sofrimento: “ você quer se matar por isso? Já passei por coisas bem piores e não fiz besteira”

·      Emitir opiniões: “isso é falta de Deus”, “....falta de vergonha....”, “....é para chamar a atenção”

·      Dar lições de moral: “olhe a sua volta! Tanta gente com problemas piores que o seu. Você tem tudo. Bola para frente”

·      Dar injeções de ânimo: “reaja, tire isso da cabeça”, “ pensamento positivo”, “ a vida é bela”

Quando o vínculo de confiança já estiver estabelecido com a pessoa que você julga estar sob risco de suicídio, você pode fazer as seguintes perguntas:

·   Você pensa em morrer?

·   Você pensa em desistir?

·   Já pensou em formas de morrer?

 

É uma conversa difícil, caso você não se sinta a vontade para falar sobre isso, tente encontrar alguém que possa ajudar. Você também pode procurar ajuda em um dos locais listados no final desse material.

Se depois de conversar você ainda estiver preocupado, entre em contato com um serviço profissional para suporte imediato.

 

 

ONDE OBTER AJUDA

 

 

Saber onde obter ajuda, especialmente em uma situação de crise, pode ser bastante difícil. Entrar em contato com os serviços disponíveis em sua região pode ser um bom lugar para começar. Seguem alguns contatos que você poderá procurar por ajuda:

 

·   Centro de Valorização da Vida – CVV – Telefone: 141(ligação paga) ou através do site que é possível conversar por chat, Skype ou e-mail – www.cvv.org.br

 

·   Linha gratuita do Sistema Único de Saúde (SUS) em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV) – Telefone 188 (ligação gratuita) - A implantação do código acontecerá de forma gradual (ou seja, os estados não terão o código disponível ao mesmo tempo). Acompanhe o calendário de disponibilização do serviço no seu município.

 

·   Postos de Saúde - são serviços abertos, independente de encaminhamentos. Identificar em sua cidade através da secretaria municipal de saúde os postos disponíveis na sua cidade.

 

·   Unidade Básica de Saúde (UBS) - identificar em sua cidade através da secretaria municipal de saúde os disponíveis na sua cidade, que são serviços abertos, independente de encaminhamentos

 

·   Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) – são serviços abertos, independente de encaminhamentos. Identificar em sua cidade através da secretaria municipal de saúde os CAPS disponíveis na sua cidade.

 

Em casos de emergência, procure:

 

·      Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) - se seu município tiver cobertura do SAMU 192, ligue para o número 192, explique a situação e solicite orientação do profissional.  

 

·   Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24h) – são serviços abertos] , independente de encaminhamentos. Identificar em sua região a UPA 24h mais próxima para atendimento.

 

 

 

Ọ̀nà’ re o - (Um bom caminho para você)
IfáṢọlà Sówùnmí - Fernângeli Aguiar

 

 

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As informações contidas neste texto, não representam uma verdade absoluta e podem variar de acordo com a família ou região dentro do Culto Tradicional.

 

 

Para ler ou imprimir a cartilha:

http://docplayer.com.br/48224020-Falando-abertamente-sobre-suicidio.html

 

 

 

Fontes:

Bascom,  Sixteen Cowries

http://g1.globo.com/

https://www.prevencaosuicidio.blog.br/dados

https://nacoesunidas.org

Imagens desta publicação: Pinterest

 

 

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