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Depoimento - A Umbanda e a Religião Tradicional num mesmo Coração




Hoje quero te proporcionara a leitura de um depoimento de alguém que vive e ama a Umbanda, e nunca pensou em deixar a Umbanda para "migrar"para a Religião Tradicional Yoruba, mas decidiu que elas em sua vida seriam complementares. Se delicie com este texto, que vai te fazer pensar e quem sabe acalmar seu coração. Uma boa leitura. Por Vanessa Torquato Eu vivo a Umbanda e sou iniciada em Ifá, Èsù e Egbe Orun. Nasci dentro da Umbanda, cresci assistindo os guias dos meus avós ajudando muitos, aprendi o que é a espiritualidade sem dogmas e de pé no chão, na simplicidade. Após meus avós encerrarem o seu ciclo na umbanda devido a idade, não me vinculei a nenhum terreiro durante muitos anos. Pois o que eu via não ia de encontro em como entendia e entendo a espiritualidade, me faltava algo. A vaidade que eu via, sempre me afastou de muitas casas, não era possível que essa minha inquietude fosse coisa da minha cabeça.

Após anos, finalmente me vinculei a uma casa. Comecei a desenvolver e a trabalhar com os guias que sempre estiveram comigo, mas havia algo que me faltava e mais profundo ainda, sozinha eu não estava conseguindo aplicar os tantos conselhos que ouvia dos meus e de tantos outros guias: “Firma a coroa fia, olhe para dentro, tenha paciência, o caminho é só seu, mas tem que mudar”. Nossa! Como era difícil ouvir isso e não saber ao certo para onde mudar. Mudar para onde? Mudar para o que? Mas eu já havia mudado tanto, ainda não estava bom?

A inquietude e aflição tomaram conta de mim, eu sabia que não estava seguindo pelo caminho ao qual eu pertencia, minha “coroa" estava bagunçada, meus sentimentos mais bagunçados ainda, tudo parecia fora do lugar e eu não sabia por onde seguir. Durante essa busca, encontrei um texto do MCA e resolvi agendar uma consulta. A partir desse dia tudo mudou, segui os conselhos de Orisa e fiz os ebós. Mas o mais importante, havia mudado algo em mim, uma luz se acendeu. Muito do que eu sentia fazia sentido dentro da RTY. Me aproximei do culto, estudei, me iniciei.


Em nenhum momento abandonei a minha primeira religião e os guias que sempre me ajudaram e continuam comigo, mas dessa vez, eu consegui compreender a tal da mudança necessária e o que significava firmar a coroa. Epaa Orí!

Passei a cuidar do meu Ori, meu maior e melhor amigo. Comecei a cultuar Orisa seguindo a simplicidade do culto, da forma que para mim sempre fez muito sentido, da forma que cresci assistindo nossos amados guias de umbanda fazerem e pregarem. “Não precisa de pompa fia, nego é simples, o que queremos é a simplicidade e o amor no coração”.

Hoje sigo com minha fé fortalecida, inabalável. Hoje sei que para "firmar a coroa" preciso cuidar muito bem do meu Ori; que para compreender as mudanças que preciso realizar para ir de encontro ao meu destino tenho que cuidar e cultuar Ifá; que para ter a paciência e ser tolerante com os outros e principalmente comigo, preciso do àse de Esu e, para ter a coragem de seguir adiante mesmo com tantas adversidades preciso de Ogun e do apoio constante do meu Egbe Orun.

Continuo cuidando dos guias aos quais eu sirvo desde sempre, continuo buscando o colo amoroso e os sábios conselhos de Pai Benedito, é para o Seu Meia-noite que conto os problemas da vida nas muitas encruzilhadas em que me encontro, é com a cigana Rosa e Maria Padilha que procuro a magia que muitas vezes precisamos para ser mais “atrativos” para o mundo.

Com a RTY aprendi a ser independente para cuidar do meu Ori e do meu destino. O melhor de dois mundos agora habitam em mim, um não interfere no outro mas ambos me fortalecem como ser humano.


Não misturo. Os meus guias respeitam o Isese Lagba e o Isese Lagba respeita o meu povo.

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Eu, Ifásolà, desejo que você que é da Umbanda e em algum momento pensou em "migrar" para o Isese Lagba, desejo que você tenha sempre um Coração Grato e que jamais esqueça aqueles que te ajudaram e te estenderam a mão nos momentos mais críticos da sua vida. A verdadeira gratidão traz a nobreza para o Coração. Um bom caminho para você. Ona're o Iya Ifasola Efungbemi

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5 opmerkingen


Ivone Esquerdo
Ivone Esquerdo
19 nov. 2023

Da pra cultuar candomblé com a Jurema e então continuar tornando partícipes nossos irmãos de luz caboclos baianos preto velho e catiços

Asé ó 🙏

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Marjury Cardoso
Marjury Cardoso
09 nov. 2023

Eu amei demais esse texto e me foi muito valido. Eu sou umbandista a vida toda, e a mais de 20 anos me coloquei a desenvolver minha "coroa" espiritual. Fiz todas as todas as ritualísticas necessária (que a casa onde participo tem) e desde 2020 venho sendo questiona e questionando muita coisa dentro e fora. Me coloque ia olhar além do terreiro que eu cresci, conheci mais sobre outros formas de cultuar a umbanda, minha irmã carnal é Yalorixá de candomblé de Keto e eu como um boa estudante e buscadora sempre estive com ela aprendendo e questionando com respeito. Até que fui fazer uma consulta com um Ifàràdà (nunca tinha estudado sobre Ifa) mas me permitir e meu Ori gritou…

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Bianca da Silva
Bianca da Silva
22 sep. 2023

Que lindeza esse texto!

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Como fiquei feliz em ler esse texto! Nasci e cresci na Umbanda. Umbanda simples, sem misturas. E assim sigo, respeitando as entidades que tenho a honrar de servir. Me encontrei em Ifa, sou iniciada e continuo meu caminho na Umbanda, e na RTY. Sem misturas e com muito respeito. Ase!

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Shaiane nascimento
Shaiane nascimento
14 jul. 2023

Gostei muito do texto, e o blog tá sendo uma ajuda e um acalento no meu coração em diversos graus, muito obrigada por partilhar suas experiências conosco, gratidão por sua vida, saúdo seu Orí

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