• Ìyá Ṣọlà

O que esperar do 1º ano após a Iniciação em Ifá?


Antes de curar ou ceifar, vai doer e sangrar. Sim, vai. Antes de arrumar é necessário desarrumar e limpar, jogar fora tudo aquilo que já não te serve mais. E é aqui, bem nesse ponto que chega o primeiro problema: O APEGO. O que está na sua vida como apego? E que na verdade o tempo dele já acabou e ele continua lá ocupando espaço, enquanto o novo, que faz parte do teu predestino não ganha espaço para existir.


Escrevo este texto com carinho aos nossos filh@s, e novos Ọmọ Awo de nossa família Ayénifá, e aos que se preparam para se juntar a nós.


Ensino como mãe aos meus, por vezes dogmática e outras vezes com o coração molinho, ensino que ao se rezar diante do nosso Ifá, o primeiro pedido a ser feito é:


- Que Ifá me guie e seja meu esteio, assim como o do meu Ori, para que possamos cumprir com a nossa missão na Terra, e que eu a cumpra com mérito e honrarias.


Quanto mais distante do seu predestino você estiver, mais difícil será. E se isso acontecer, é porque você se auto-negligenciou nos últimos anos, mesmo quando a sua intuição te dizia: este não é o caminho. Você optou pelo mais fácil, ou pelo comodismo, escolheu atalhos ou se escondeu. E agora, chegou a hora de voltar com a vida para os trilhos do teu destino, e para isso a mão de Ifá pesa, assim como a do seu Orí, e eles vão te empurrar sem dó, para que você chegue até onde você deveria estar.


E quando todo esse processo começar te lembraremos: "Nós te iniciamos.

Nós te iniciamos.

Para que você faça sua própria iniciação." É preciso compreender este dito com veracidade. Ao entrarmos para uma iniciação de Ifá, somo lagartas. Nos rastejamos pelo chão e com muito esforço chegaremos a uma distância considerável. Ao vestirmos o aṣo agbalagba (lençol branco iniciático de Ifá) - este é um texto elucidativo e não é o significado real do aṣo - é como se os sacerdotes ali presentes estivessem tecendo o seu casulo, onde você ficará no mínimo um ano, criando as suas próprias asas, para que se torne um pássaro da alma, como alguns autores, chamam as borboletas. Daí em diante o rastejar-se será transformado em voos, e os limites, esses serão bem menores.


O primeiro ano em nossa família, o Ifá sise, ou Isefa, de acordo com a região iorubá de nossos mestres é sim uma iniciação, de 3 dias, em que Ifá e Esu se alimentam com mais de 6 aves mais o "4 pé", fora as várias pinturas no corpo e mais de 6 banhos sagrados individualizados, é SIM uma INICIAÇÃO para nós. Respeitamos as demais regiões e costumes que fazem diferente. Afinal as terras Yorùbá não estão restritas as cidades populares. No interior, onde há menos influência dos estrangeiros, costumes e ritos divergem das cidades mais urbanizadas. Nos últimos anos aprendi na carne, na minha e dos meus, que assim como no Brasil, no Candomblé, a Religião Tradicional Yorùbá é vasta, diversificada e o que valida de fato algo é o resultado positivo na vida daqueles que se permitem viver o culto em sua essência. As tradições familiares são tão diversificadas, que em nossa família, por exemplo, seguindo os nossos mais velhos da cidade de Ijebu Ode, estado de Ogun, há a preocupação em fazer um determinado ebó, em um determinado período, durante o primeiro ano pós Ifá, justamente por conta das dificuldades que se apresentam, esse ritual vem justamente para apaziguar esse caos.


Muitos iniciados no Ifá, deixam o Ifá no primeiro ano, abandonam seus igbas pelas dificuldades que se apresentam, crendo que o problema é o próprio Ifá.


O primeiro ano de Ifá é tão complexo, e evita-se falar dele, pois não são todos que estão dispostos a esperar o fim da transformação.


É normal que pessoas partam da sua vida. É normal que novas pessoas cheguem em sua vida.

É normal mudar de cidade.

É normal se afastar de velhos amigos.

É normal ter que encarar os excessos e deixá-los.

É normal mudar de área na profissão.

É normal até mesmo acabar um casamento...

É normal não reconhecer-se após um ano.


É necessário sabedoria para compreender que no primeiro ano de Ifá, com o ọmọ Ifá CUMPRINDO os seus osẹ corretamente e seguindo a orientação de Ifá, Èṣù e do sacerdote ou sacerdotisa, pode escrever com sangue: Não há perda. Há ganho! Você estará caminhando novamente para os trilhos da sua missão de vida, e sendo mais radical: tudo o que foi embora, não é perda, é livramento mesmo!


Se você estiver cumprindo com as suas responsabilidades semanais e mesmo assim, sentir um frio na barriga, como no de uma montanha-russa. Relaxa!!!! Pois no final vai compensar e se você tiver sacerdotes presentes que não te deram as costas na primeira dificuldade, pode ter certeza que você vai já já olhar para trás e rir, pra dizer bem alto para quem quer que seja:


Ifá foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida.


Mais do que nunca seus pés estarão firmes sobre a terra para que você deixe as suas pegadas sobre a terra e seja memorável aos que te conheceram, de forma digna e honrada.


Iyalorisa Ifasola Ẹgbẹ́kẹ́mi e Oluwo/Oloogun Sérgio Borges

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