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Entre Ọ̀run e Ayé: A vida com Ẹgbẹ́.


Lições que não estão disponíveis em lugar nenhum e que guardamos no fundo da gaveta quando elas nos chamam pra conversar. Ẹgbẹ́ Ọ̀run é o meu lar, é meu porto de desembarque depois de uma longa viagem. É meu pico de serotonina em um sábado às 16h50, ensolarado, 27°, de frente pro mar azul-esverdeado profundo, falando bobagem, rindo do nada, com música boa pra alma e gente que se ama. Ẹgbẹ́ pra mim é sentir-me viva, grata de maneira genuína, esquecer dos problemas, dos boletos e dos desafios que na noite passada me tiraram o sono.


A minha Ẹgbẹ́ Ọ̀run e eu construímos nossa relação íntima, mas não foi depois da iniciação, mas ao longo dos últimos anos. A cada culto semanal, a cada vez que vou ao supermercado e lembro deles: “ahh, eles vão gostar”, a cada queda de obi, alertas e premonições em sonhos.


No entanto, não é simples. Por vezes é imprevisível, temperamental e indecifrável. Quando se zangam, seja por descuido, má administração do tempo ou cansaço, os primeiros sinais aparecem e é preciso correr, pois podem me causar problemas sérios. Ainda assim, são eles que me avisam quando estou sendo atacada ou quando há um desocupado pensando em me fazer mal.


Uma vez sonhei duas noites seguidas com o mesmo bebê inundando meu quarto de xixi. Fui para os búzios e "bang". Depois mostraram em sonho quem era. Eles são minha força e minha família tanto em ayé quanto em Ọ̀run, porque são presentes o tempo todo.


Todos os dias ei aprendo mais com elas.


Fazendo oferendas para Ẹgbẹ́ de outras pessoas, aprendi que há Ẹgbẹ́ que exige ser cultuado de cabeça baixa, como o de uma criança iniciada em Ifá do odù Ògúndá bẹ́ẹ̀dé. Aprendi que algumas comunidades são menos tolerantes às palavras e querem levar a pessoa de volta para Ọ̀run — mesmo depois de iniciada. Aprendi que há dois Òrìṣà que podem tentar negociar com Ẹgbẹ́: Èṣù e Ọbàtálá. Mas, no final, Ẹgbẹ́ faz o que quer.


Aprendi também que quando você NÃO precisa se iniciar e mesmo assim o faz, assume uma responsabilidade até o último dia da vida, com muitas cobranças e poucos benefícios.


Do vazio que muitas vezes encontrei nas pessoas, foi preenchido quando me sento na frente da minha Ẹgbẹ́ e explico tudo o que está acontecendo, como quem conta um causo para um amigo e no final me sinto abraçada. Mas eu também levo bronca.


Se você é Elegbe e está procurando ter uma melhor conexão com a sua Ẹgbẹ́, vou te dar algumas dicas de ouro.


1. Ofereça o melhor à sua Ẹgbẹ́, nada de restos.

2. Converse como quem fala com seu melhor amigo - com muito respeito.

3. Saiba qual é sua comunidade e onde ela gosta de receber Ìpèsè Ẹgbẹ́ Ọ̀run: bambuzal, igi pèrègún, igi àkókò, igi ògèdè, mar, mata, rio, lixeira, nascente, lagoa.

4. Jamais deixe a água do aawe secar.

5. Troque a água do aawe quando precisar, não deixe ficar suja.

6. Faça o culto alegre e jamais chore na frente da sua Ẹgbẹ́ — confia em mim.

7. Nunca prometa e não cumpra.

8. Para Ẹgbẹ́, tempo é precioso. Não falhe nos prazos.

9. Apesar de não se lavar o ojubo de Ẹgbẹ́ Ọ̀run, você não deve deixar ele com mal cheiro. Limpe o que é necessário. Você pode usar gin para limpar.

10. Aprenda a fazer aadun para oferecer, é uma iguaria que eles adoram.

11. Pense em dar um sekere de presente para o seu Ẹgbẹ́, pode ser pequeno.

12. Ẹgbẹ́ não gosta de dividir as coisas dele. Eles gostam do próprio gin, dos próprios instrumentos...

13. Se seus pais são ausentes, saiba: sua Ẹgbẹ́ pode ser seu porto de proteção.

14: A cada vitória que você viver, lembre-se de agradecer e compartilhar com o seu Ẹgbẹ́, pois eles sempre estão ao seu lado, desde que eles passaram a ser o vento soprando ao seu favor.


Todo bom relacionamento se constrói no dia a dia — nunca pagando por ele.


Viva Ẹgbẹ́ Ọ̀run! Com humildade.Com respeito.Com verdade. Ìyá Ifásọlá Ẹgbẹ́kẹ́mí

💛 Meu Coração Africano


Ile Obatala Oni Igba Iwa - Brasília DF

Instagram @meucoracaoafricano  

Contato para consultas com EerindilogunWhatsapp: 13 99687 1985


Compartilhe o conhecimento com responsabilidade dando sempre os devidos créditos e as menções para quem escreveu.


 
 
 

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