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  • Ìyá Ṣọlà

O Caminho da Compreensão dos Eewo de Ifá


As iniciações em Orisa, incluindo Ifá, tratam-se de mortes simbólicas para um renascimento, que provê muitas bênçãos e melhora na vida de quem entrega a própria vida. Se a morte foi necessário é porque há a necessidade de mudanças, não é possível ter um recomeço sem abrir mão de algo e muitas vezes estamos falando de interdições, tabús, ou seja dos eewo. Quando a pessoa não sabe o motivo da interdição ou eewọ, no caso do Itefá, ficam uma série de perguntas sem respostas e há uma maior dificuldade na aceitação.


Quando uma iniciação é feita com menos pessoas, há mais individualidade e a importância é dada com atenção a cada um e nos dá oportunidade de dialogar com o Oluwo e esclarecer todas a orientações e mensagens recebidas pelas divindades. Sair de uma iniciação cheio de dúvidas pode gerar uma série de suposições fantasiosas que podem se tornar perigosas com o decorrer da vida.


A pergunta é: Como compreender os Eewo?


A grande verdade é que todas as explicações estão dentro dos versos do Odù.


Eu sei que lamentável que às vezes algo do que mais gostamos seja nosso eewọ por causa de sua contradição com nosso Ori/destino. Pode ser uma comida, pode ser um comportamento e na verdade pode ser qualquer coisa.


A grande questão é que se a interdição não for seguida, haverá sérios contratempos que poderão impedir o bom destino.


Se analisarmos cada eewọ, compreenderemos que há diferentes significados na vida do iniciado. Por exemplo, se é um tabu para alguém criar cachorro, há vários significados que podem ser analisados. Sendo assim, vamos trazer este exemplo, pois ser impedido de criar o nosso querido pet, traz para nós brasileiros muito sofrimento. Vamos então compreender essa interdição através do odù Ifá Òkànràn Ọwọnrin, nele Ifá diz:


Okanran wọn-n-wọn

Babaláwo Ajá lokifa fún ajá

Ìgbà tí n mẹnu serahun ọmọ.


Neste verso, Ajá - o cachorro - estava buscando filhos e foi solicitado a fazer sacrifício para que ele tivesse um filho, também foi solicitado a fazer outro sacrifício para que ele tivesse descanso de espírito e vivesse com conforto. Ela só fez sacrifício para ter um filho mas não para viver em paz.


Ajá teve o filho, mas infelizmente nunca conseguiu descansar para achar o que comer para criar seu filho.


Este odu enfatiza que não se deve criar cachorro para evitar o desequilíbrio na vida ou para que não se consiga cuidar dos filhos com conforto. Além disso, se a pessoa tiver momentos de raiva, ela ficará longe de seus filhos ou pode até mesmo agredir seus filhos Então, para evitar isso na vida dessa pessoa, ela precisa ficar longe dos cachorros como ensina este verso.


No mesmo odù, Òkànràn Ọwọnrin Ifá também diz:


Òkànràn Wan-n-ran bi ẹni dadẹ

Adífá fún Ọba Ọlọ́wá Ògbògbó

Èyí tí ajá ilé rẹ òní fí ààyè gba baba tóbi l'ọmọ...


Este verso conta sobre um rei chamado Olowa Ogbogbo que era um homem muito rico e famoso com uma grande quantidade de terras. Ele herdou a riqueza de seu pai.


Òkànràn Ọwọnrin nos revela que esta pessoa que recebe este odù em seu Itefá, tem uma grande ligação com seus ancestrais e que eles costumavam visitá-lo à meia-noite. Quando os ancestrais chegam na casa do filho deste odù, eles limpam o ambiente, varrem as negatividades e trazem mais bênçãos para a vida dele, o protegendo e provendo riquezas.


...Mais tarde, Olowa Ogbogbo, o rei, trabalha junto com a propriedade herdada e ganha muito mais dinheiro. Ele tem casas, cavalos, um bom casamento, filhos e bênçãos. Ele é feliz, não há nada que ele não tenha, e um dia ele passou a ter cachorros para a segurança da sua propriedade


Um dia ele dormiu e sonhou com o seu pai, mas o sonho não ficou claro. O sonho fez com que ele fosse consultar os sacerdotes. Eles o avisaram que ele não poderia criar cachorro porque isso contradizia seu destino. Ele negou. Ele ignorou.


Em consequência, sempre que os ancestrais iam visitá-lo, os cães os perseguiam, latiam e nunca deixavam os ancestrais entrar.


Na crença Yorùbá acredita-se que Olódùmarè deu aos cães o poder de ver os espíritos, os mesmos que os humanos não conseguem ver, os cães costumavam latir ao ver os mortos. Então, ao ouvir o latido os ancestrais regressam em seu caminho e não entram na casa do seu protegido para distribuir bênçãos. Acredita-se que a pessoa deixa de receber as bênçãos dos ancestrais, ela começa a enfrentar males, doenças e perdas.


Mais tarde o rei voltou ao sacerdote e o Babalawo voltou a dizer a ele para ficar longe dos cachorros, e agora ele também deveria apaziguar os ancestrais. Ele fez o sacrifício tudo voltou ao normal gradualmente.


Portanto aprendemos que se alguém tem o tabu de não criar cachorro, pode ser em função de sua forte conexão com os ancestrais e caso a pessoa relute ela irá pouco a pouco perdendo sua conexão e suas bênçãos.


Este conhecimento foi nos ensinado pelo Oluwo Ifadare, Babalawo do Ile Ase Obatala Oni Igba Iwa e escrito por mim, para trazer a todos os cultuadores de Orisa, um maior esclarecimento sobre a necessidade de se compreender e se comprometer com os eewo nos dado por Ifá para que tenhamos um bom destino. Instagram @meucoracaoafricano @ajayi_ifadare Compartilhe o conhecimento com responsabilidade dando sempre os devidos créditos e as menções para quem escreveu. Meu melhor abraço Iya Ifasola Egbekemi Olori Ile Ase Obatala Oni Igba Iwa

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